Tramitam na Câmara dos Deputados dois projetos de lei que visam tornar os anúncios publicitários mais próximos da realidade, o PL 6853/2010 e o PL 3187/2012. O primeiro quer obrigar os anunciantes a incluir avisos nas peças quando vierem com fotos retocadas - algo como "esta modelo não é bem assim"; o segundo vai além, barrando as imagens "meramente ilustrativas" por completo. O consumidor, então, não poderia se sentir enganado, fosse na hora de comprar um creme anti-rugas ou um hambúrguer.
Recentemente, alguns anúncios que teriam exagerado no uso do Photoshop foram retirados do ar no Reino Unido e nos EUA. As campanhas usavam como garotas-propagandas mulheres famosas como as atrizes Rachel Weisz e Julia Roberts e a cantora Taylor Swift, no entanto, as imagens sofreram tantas alterações e retoques que receberam críticas e foram consideradas “enganosas”. Enganosas porque Julia Roberts parecia a Julia Roberts de 30 anos atrás e Rachel Weisz em algum momento durante o processo de criação praticamente deixou de ser a Rachel Weisz.
Por mais que cause esse tipo de polêmica, o uso de programas que fazem correção é visto como essencial por quem trabalha com propaganda. “Todas as imagens precisam de um tratamento, embora tenhamos sempre um limite para que não fique exagerado”, afirma Gustavo Victorino, diretor de Criação da DM9DDB, que tem como clientes Johnson&Johnson e Sadia, dois candidatos a se enquadrar nos projetos.
Os retoques são vistos de outra maneira pelo deputado Wladimir Costa (PMDB-PA), que sugeriu os avisos. "Há uma enganação latente em todo o processo de criação e veiculação de peças publicitárias, e essa enganação se faz, na maior parte das vezes, por meio da imagem e da sua manipulação", diz ele na justificativa do PL.
"Se nas artes o objetivo ao se retratar o corpo humano de forma idealizada era a exaltação do belo, na publicidade busca-se a sedução do público, a criação de uma falsa ideia de perfeição que pode ser adquirida por meio do consumo", afirma. De acordo com a proposta, caso a peça não venha com a mensagem "Atenção: imagem retocada para alterar a aparência física da pessoa retratada", o infrator sofre advertência; é obrigado a publicar uma retificação ou esclarecimento; ou paga multa, que vai de R$ 1 mil a R$ 50 mil e pode ser dobrada, triplicada etc., conforme reincidência.
Marcos Medeiros, diretor de Arte e de Criação da AlmapBBDO, diz que o problema dessa ideia é quantificar a alteração. Quem faria esse julgamento? Ele, cuja agência atende O Boticário, garante presar pela honestidade quando recorre ao tratamento, e lamenta: "Como sempre, pagamos pelos que cometem excessos." Victorino, da DM9, acredita que a proposta surgiu por uma deficiência do mercado, que está exagerando. "Mas como não concordo com o exagero, não concordo com o aviso", explica.
Quanto à ideia de acabar com as imagens meramente ilustrativas, ela surgiu porque o deputado Francisco Araújo (PSD-RR) as considera "prática nefasta". "Trata-se de um verdadeiro estelionato comercial, já que muitos fornecedores divulgam em seus anúncios características de seus produtos e serviços que não condizem com a realidade", justifica. "Isso é, sem dúvida, uma afronta aos princípios básicos da legislação brasileira de defesa do consumidor, afronta essa que precisa ser urgentemente debelada."
Neste caso, a punição seria o enquadramento do recurso como publicidade enganosa, que já é proibida pelo Código de Defesa do Consumidor - ao qual seriam acrescentados dois parágrafos.
Para Victorino, a propaganda deve ser aspiracional e trazer sensações de desejo, portanto, o negócio é combater exageros e continuar investindo em sentimentos que possam culminar na compra do que está sendo mostrado.
Curiosamente, os dois diretores usaram a mesma analogia para defender as alterações tão usadas - e criticadas - pelo meio publicitário. "Quando uma mulher vai a uma festa, ela também se arruma, se embeleza", exemplifica o da DM9. "Se exagerar na maquiagem todo mundo comenta. Se acerta, todo mundo elogia."
"A maquiagem é uma forma primitiva de Photoshop", brinca o da Almap. "As mulheres nos enganam faz tempo."
Por Kate Ferry e Leonardo Pereira
Olá, Trabalho com manipulação de imagem a 20 anos e hoje em dia cheguei a uma conclusão simples, e justa sobre a minha profissão. A manipulação nada tem a ver com vaidade, mentira ou qualquer tipo de alteração mal intencionada da realidade. Falo isso sobre modelos humanos e produtos. Pra começar quem é da área sabe que as câmeras (video, ou fotografia) "engordam" o modelo em pelo menos 6 a 8 kg. Que qualquer produto, ou pessoa fotografada em studio, com boa iluminação, com câmeras poderosas em alta resolução e lentes maravilhosas...saem da realidade também, do ponto de vista do olho humano. Ninguém, e nada é percebido com tamanha resolução. Ninguém a olho nu vê as rugas, ou "defeitos" como se vê em uma foto profissional. Então qual é a verdade??? Porque, o que a foto crua mostra, também não é a verdade com certeza! Que tal encarar a manipulação de imagem, hoje em dia, como um ajuste ao olho humano. Me parece bem justo. Não podemos esquecer nunca que estamos falando de publicidade. Venda. Ninguém compraria um hamburguer que aparece em close, e em alta resolução como é na verdade. É uma super lente de aumento! Vcs imaginam um pão visto com uma super lente de aumento??? Imaginam uma pele, por melhor que seja, vista dessa forma?? Qualquer pessoa de 30 anos, vira imediatamente um ancião de 90 anos. Um pão normal e bonito, vira um monte de rachaduras e farelos. Não me parece justo também. Claro que como o nosso amigo acima disse, muitas vezes nos forçam a fazer exageros...e como somos profissionais liberais, temos que ceder ao nosso cliente. Uma pena sem dúvida! Mas sei também da força que fazemos a cada trabalho, para que o cliente se conforme com o mais real possível. Vamos colocar as coisas em seus devidos lugares. A anorexia é uma doença seríssima. Culpar uma ferramenta digital como o photoshop é um pouco demais....Cuidado com os "exageros"!!!!!
Eu trabalho com tratamento de imagens e muitas vezes acho exagerado o que pedem pra eu fazer: deixar com cara de 15 anos senhoras de 80 é uma desses pedidos... Todas as imagens precisam de retoque sim mas apenas para produção técnica (nível de tinta, ajuste de sombras, luzes e cores). Dependendo de como será feito essa lei, eu concordo com ela
Chegamos a um conflito interessante. É óbvio que o retoque conduz a uma ilusão por parte do consumidor, mas a ficção é sempre mais interessante que a realidade, non è vero?
Olá bom dia,todas as ferramentas são válidas,mas concordo tem quem haver um limite,não podemos transformar a realidade e traços que marcam uma pessoa com uso exagerado do fhotoshop,acredite que isso até pode comprometer o própria artista,já pensou que não conheça a HEBE CAMARGO,e de repente ela aparece com carinha de 30,ai não dá,isso seria subestimar a inteligência das pessoas,afinal publicidade,pode encher o produto de glamour,mas não torná-lo falso.