Pôneis malditos. Malditos mesmo

16 de agosto de 2011 · 09h09
6 Comentários
A-A+
Avalie esta Notícia
  • 6
  • 8
Compartilhar

Marketing é fascinante porque não é uma ciência exata. Pegue todo aquele conhecimento de marketing que você aprendeu em quatro anos de faculdade e jogue fora. Junte todos aqueles conceitos de pesquisa, construção de posicionamento e promessa para o consumidor e deixe de lado. Todo esse meu desabafo e indignação é em virtude desses pôneis, literalmente malditos, que a Nissan lançou em sua mais recente campanha. Esse é mais um exemplo clássico de ações de comunicação e de marketing que pensam por campanhas, mas com negligência no processo de construção de marca.

Não deu certo, troca de agência. Não mexeu o ponteiro, muda o gerente. Não vendeu, vamos mudar o mote de comunicação. Não saímos do mesmo market share, muda tudo. É exatamente assim que pensam a Nissan e outras várias marcas, e acabam incorrendo no mesmo erro clichê. Certamente, elas não sabem que construir marca é sinônimo de longo prazo. Não é possível fazer em seis meses ou dois anos.

As cabeças pensantes de marketing da AMBEV certamente não faltaram nessa aula e sabem disso. A Skol é um exemplo impecável de construção de marca. Eles travaram o conceito do “Desce Redondo” e falam isso há mais de 10 anos. Com Beto Barbosa, com Monstro etc., da forma que for, mas o mote do “Desce Redondo” está lá, irretocável, intocável. Não é à toa tratar-se de uma das marcas de cerveja que mais valem no mundo, segundo grandes consultorias, como Interbrand ou Millward Brown. MasterCard é outro exemplo espetacular de construção de marca. Travaram o “Priceless” e não vão mudar tão cedo. Itaú também sabe fazer isso bem feito.

O que esses profissionais de criação da agência da Nissan não sabem, ou talvez fingem que não, é que market share se ganha por meio de uma ação de comunicação integrada, bem feita e consistente. E estar simplesmente por semanas nos Trend Toppings do Twitter não resulta em vendas consistentes, ainda mais em um mercado tão feroz e tão aquecido como é o setor automobilístico no Brasil hoje.

Classifico esses malditos pôneis no mesmo escaninho de Cadbyury, que colocou, em uma propaganda em 2007, um gorila tocando bateria ao som de Phil Collins, simplesmente para gerar buzz marketing e cair na boca do povo. Levou Leão em Cannes, mas duvido que isso tenha gerado consumo sustentável do chocolate da marca.

Por Marcos Hiller, coordenador do MBA em Branding na Trevisan Escola de Negócios.

Comentários

Comentar
Para postar comentários é necessário se logar com os dados do Facebook.
6 Comentários
1de2

Luiz Antoine Labelle Duque - 05/10/2011 - 00:11

coitado, o cara que escreveu isso deve estar se sentindo mal nesse momento. Depois que saíram todos os resultados que deu nas vendas da Nissan e quando ele agora ocupa no mercado algo em torno de 0,46 % antes dos poneis e agora 2,5 %. Mas valeu a tentativa da critica e sim aumentou as vendas do Cadbury(e não do Cadbyury).

Thiago Atanazio - 08/09/2011 - 23:11

110% aumento isso eh resultado http://www.noticiasautomotivas.com.br/mes-de-agosto-foi-historico-para-a-nissan/

Douglas Santos - 16/08/2011 - 13:30

Se a primeira idéia foi chamar a atenção, parabéns a Nissan conseguiu,muitos estão de olho na marca, agora acredito que seja a hora criar comerciais para criar uma identidade e fazer com que isso seja transformado em vendas

Fabiano Pereira Lima - 16/08/2011 - 11:58

ótimo artigo, Marcos. Gostaria de ver se isso vai realmente reverter em vendas. Acredito que não.