Na última terça-feira, 16, o Senado aprovou o Projeto de Lei da Câmara nº 116, que dita novas regras para o mercado de TV paga no Brasil. O texto prevê que operadoras e canais serão obrigados a incluir na programação conteúdo nacional e independente, abre o mercado para as teles e coloca a Ancine (Agência Nacional de Cinema) para fiscalizar o setor junto com a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Além disso, não há mais restrições em relação ao capital estrangeiro.
O PLC 116 revoga a antiga Lei do Cabo (nº 8.977/95) e gerou muita discussão entre parlamentares e representantes do setor desde seu surgimento, em 2007, como PL 29. A oposição, inclusive, já avisou que pretende entrar com uma ação direta de inconstitucionalidade sobre a matéria por entender que é competência do Executivo dar novas atribuições à Ancine.
Brasil obrigatório
Se for sancionado pela presidente Dilma Rousseff, o PLC 116 instituirá três tipos de cotas de conteúdo nacional na TV paga: por canal, por pacote ou por canal jornalístico. No primeiro caso, os canais passam a ser obrigados a colocar 3h30min semanais de programas brasileiros durante o horário nobre – a ser definido pela Ancine. Pelo menos metade desse conteúdo deve ter produção independente.
Quando a cota for por pacote, um terço dos canais terão de ser brasileiros. Entre eles, um terço tem de ser independente e pelo menos dois precisam exibir o mínimo de 12 horas de conteúdo nacional e independente. Se o pacote for jornalístico, a operadora terá de oferecer dois canais do gênero para garantir a pluralidade das informações.
Para o deputado Demóstenes Torres (DEM-GO), colocar esse tipo de obrigação sobre o setor é uma medida de "coitadismo que não leva em conta o mérito ou a qualidade" e que fará o assinante ver "lixo". A justificativa de Torres é que o bom conteúdo não precisa de cota para entrar na grade.
Mais dinheiro
Além das cotas, o PLC 116 arrumou outra forma de incentivar o conteúdo nacional, o fomento à produção local. Cerca de R$ 300 milhões anuais serão destinados ao setor por meio da retirada de 10% da contribuição das operadoras ao Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações).
Trinta porcento desse valor vai para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. E 10% será colocado na produção independente – também nacional.
Os olheiros
A fiscalização do cumprimento dessas cotas ficará a cargo da Ancine, o que causou descontentamento até entre os senadores que votaram a favor do projeto. A agência será responsável por olhar produção, programação e empacotamento do conteúdo, ainda mais agora que não há o limite de 49% de investimentos estrangeiros no setor. A responsabilidade editorial ainda tem de ser brasileira, mas uma empresa 100% internacional poderá comandar um canal, uma programadora ou uma operadora.
Parlamentares da oposição pretendem recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) a fim de barrar a nova regulamentação. Para Aloysio Nunes (PSDB-SP), cabe à Presidência da República legislar sobre a Ancine. O também peessedebista Alvaro Dias (PR) enxergou no projeto uma tentativa do Estado em controlar a mídia por lhe conceder poderes indevidos de regulação e produção audiovisual.
A Anatel se mantém como responsável pelas atividades em torno da distribuição. Isso inclui fiscalizar o uso das redes, tecnologia e autorização da oferta de serviço.
As informações são da Agência Senado.
Redação Adnews
O telespectador brasileiro possui referencias de elevados padrões de qualidade de TV. A emissora que não tiver competência, sofrerá em seus índices.A cota minima de produção local estimula novos formatos, novas idéias, novos talentos fora do engessamento que hoje prevalece por interesses de poucos. DEMostenes defende a preservação da mesmice por interesses políticos. O lixo enlatado que predomina hoje, é pior que estimular novos caminhos. Alguém me cita um único país de primeiro mundo que as TVs NÃO sejam reguladas por uma entidade governamental?
eu acho ótimo ter mais opções de conteúdo nacional! Sempre achei um absurdo só os canais da Globosat produzirem conteúdo pra cabo. Eu prefiro que se abra espaço pra variedade de conteúdo nacional do que ter aquelas reprises eternas de Friends e Two and a Half Man.
Eu acredito que o que a Sarah Cristine quiz dizer é que a gente paga TV a cabo exatamente para não ter que ver "porcaria" seja ela nacional ou não. Correto está o Deputado Demóstenes Torres ao afirmar que coisa boa terá o seu lugar garantido, independentemente da obrigatoriedade.
Vai ser Bom p/ quem produz conteúdo no Brasil....