Os dois Leões conquistados pela Moma no Festival de Cannes não pertencem mais a ela. Por meio de um comunicado oficial, a organização do evento cancelou os prêmios por falta de comprovação de que os anúncios não haviam sido veiculados, como manda a regra.
Conforme adiantado pelo Adnews, a organização investigou as peças “Teacher' e 'Princess' - elaboradas para o ar-condicionado Dual Zone Air Conditioning da KIA - , que faturaram Prata na categoria Press e Bronze em Outdoor. A própria agência chegou a admitir que a campanha não teve veiculação. (Reveja)
O processo de apuração já havia sido aberto no início de julho, como informou Amanda Benfell, responsável pelo contato com a imprensa do Cannes Lions. Mas a decisão foi divulgada oficialmente apenas nesta quarta-feira, 20, no site do evento.
Consta no regulamento que “todas as inscrições das peças devem ter sido implementadas entre 1 de Março de 2010 e 30 de abril de 2011”. O que não ocorreu neste caso.
Philip Thomas, CEO do Festival, comentou a situação "O Cannes Lions deixa claro nas regras que, se solicitada, deve ser fornecida prova de que as campanhas ocorreram e foram legitimamente criadas para um cliente que paga. Apesar de muitas conversas, a Moma Propagana não forneceu a prova que necessitamos e, portanto, os Leões foram retirados”.
Os profissionais reponsáveis pelos anúncios estão impedidos de inscrever peças em 2012, mas a agência não foi afetada e poderá participar. "Além disso, como consta nos nossos termos e condições, temos o direito de tomar medidas contra indivíduos listados nos créditos que não conseguem provar a veracidade das entradas para nós. Nesta ocasião, a decisão foi tomada para proibir qualquer trabalho criado pela agência por um ano. Portanto, entradas não serão aceitas a partir desses indivíduos para o Cannes Lions Festival 2012 ", acrescentou Thomas.
Procurada, a Moma afirmou que respeita a decisão. Veja o comunicado:
"A Moma Propaganda respeita a decisão do Festival de Cannes sobre a devolução dos Leões Prata na categoria Press e Bronze na categoria Outdoor relacionados ao caso.
Esta decisão foi tomada em conjunto com a organização do festival, sendo resultado de uma série de fatores e profunda análise. A agência optou por não prosseguir com sua defesa, tendo em vista diminuir a exposição de todos, que de alguma forma, foram envolvidos nesse processo."
Como tudo começou
O assunto veio à tona após polêmica causada no mercado e na imprensa dos Estados Unidos depois da premiação. Acusados de pedofilia, os anúncios foram renegados pela KIA norte-americana, que se defendeu e alegou que não iria usá-los "de forma alguma". (Veja aqui)
A empresa passou a bola para a distribuidora brasileira. A Kia Brasil, cliente da Moma desde 2008, aprovou as peças e estava ciente do conteúdo. Porém, por sua vez, repassou o caso para a agência quando foi questionada sobre.
A Moma se defendeu, assumiu toda a responsabilidade em nome da empresa do produto anunciado, e explicou que a intenção nunca havia sido “gerar questionamentos envolvendo algo tão importante e sério como pedofilia”.
Na época, foi questionada a perda dos Leões devido à interpretação considerada ofensiva. A agência se esquivou e disse que a intenção, no momento, era dissipar a polêmica gerada pelas acusações e que a preocupação era outra.
O Adnews apurou o caso e descobriu, por confissão, que os anúncios nunca haviam sido veiculados. (Veja aqui) De acordo com a própria Moma, “a campanha estava programada para ser veiculada em revistas adultas masculinas, mas em função da polêmica gerada ela não será mais”. Entretanto, ficou claro que a peça inscrita no Festival não obedeceu as regras exigidas.
Por Ana Carolina Lima